Nada sobrepõe a saudade. Não há experiências que preencham o vazio, nem conquistas que encubram o querer agora. A saudade desperta toda a ingratidão que pode existir – não se importa com o que desejávamos ou até onde chegamos, prefere simplesmente o que não está aqui.
Com a nostalgia aprendi a lidar. Evito as fugas da mente com técnicas de distração. Mas a saudade me persegue mesmo quando a música toca alta e feliz dentro de mim… E só acalma saber que há solução. Engulo qualquer sinal de lágrima com a certeza de que no futuro a ponte será ainda mais curta:
- Espere, alma, um dia não vai haver mais nada disso apertando a gente.

Nada sobrepõe a saudade. Não há experiências que preencham o vazio, nem conquistas que encubram o querer agora. A saudade desperta toda a ingratidão que pode existir – não se importa com o que desejávamos ou até onde chegamos, prefere simplesmente o que não está aqui.

Com a nostalgia aprendi a lidar. Evito as fugas da mente com técnicas de distração. Mas a saudade me persegue mesmo quando a música toca alta e feliz dentro de mim… E só acalma saber que há solução. Engulo qualquer sinal de lágrima com a certeza de que no futuro a ponte será ainda mais curta:

- Espere, alma, um dia não vai haver mais nada disso apertando a gente.

Não adianta levar a vida seguindo a crença dos outros, e nem sempre vale tentar aplicar suas próprias convicções às vidas de outrem. Aceito conselhos de bom grado, olhares tortos não. Quero aprender o que me ensinam, mas fazer com as lições o que couber ao meu caminho. Vou contar minha conclusão, e que cada um decida se levará consigo: vocês podem até viver no mesmo mundo, mas ninguém é igual perante às leis do destino.

Não adianta levar a vida seguindo a crença dos outros, e nem sempre vale tentar aplicar suas próprias convicções às vidas de outrem. Aceito conselhos de bom grado, olhares tortos não. Quero aprender o que me ensinam, mas fazer com as lições o que couber ao meu caminho. Vou contar minha conclusão, e que cada um decida se levará consigo: vocês podem até viver no mesmo mundo, mas ninguém é igual perante às leis do destino.

Não importa o quão confuso ou indeciso você é, sempre carrega sonhos e metas que guiam sua vida. Mas, parece até cômico, alguns deles você já nem lembra por que estão lá. São tantos os quereres que você não consegue mais identificar como muitos deles se integraram com o que você é: são mais parte do que você sempre foi do que são parte do que você realmente quer ser. Seus sonhos contam suas histórias, contam as coisas que você não pôde alcançar… Falam sobre a distância que havia entre você e os seus desejos.
É triste, mas, se você pensar um pouco, talvez perceba que tem sonhos que não fazem mais nenhum sentido. Eles não se encaixam mais na sua vida, não correspondem mais à sua realidade. Talvez até estejam aquém do que você realmente pode agora. E só quando tiver a chance de realmente realizá-los, vai se perguntar se queria mesmo aquilo. Se realmente precisa disso. E você vai ter medo de deixá-los para trás e se sentir frustrado para o resto da vida, mas vai dar de cara com a preguiça de quem quer viver o hoje. O risco é grande… Tão grande.
Afinal, a grande dúvida talvez seja: o que importa de verdade? O que vivemos agora ou que sempre quisemos viver?

Não importa o quão confuso ou indeciso você é, sempre carrega sonhos e metas que guiam sua vida. Mas, parece até cômico, alguns deles você já nem lembra por que estão lá. São tantos os quereres que você não consegue mais identificar como muitos deles se integraram com o que você é: são mais parte do que você sempre foi do que são parte do que você realmente quer ser. Seus sonhos contam suas histórias, contam as coisas que você não pôde alcançar… Falam sobre a distância que havia entre você e os seus desejos.

É triste, mas, se você pensar um pouco, talvez perceba que tem sonhos que não fazem mais nenhum sentido. Eles não se encaixam mais na sua vida, não correspondem mais à sua realidade. Talvez até estejam aquém do que você realmente pode agora. E só quando tiver a chance de realmente realizá-los, vai se perguntar se queria mesmo aquilo. Se realmente precisa disso. E você vai ter medo de deixá-los para trás e se sentir frustrado para o resto da vida, mas vai dar de cara com a preguiça de quem quer viver o hoje. O risco é grande… Tão grande.

Afinal, a grande dúvida talvez seja: o que importa de verdade? O que vivemos agora ou que sempre quisemos viver?

A vida vai te dando opções muito cômodas e, quando você percebe, já esqueceu quais eram mesmos os seus sonhos. Só um incômodo qualquer lá no fundo da consciência continua te puxando, como um bebê puxa a barra da calça do pai. De vez em quando você percebe uma falta de vontade qualquer que se relaciona com o fato de que você não quer nada daquilo, mesmo que não se lembre disso.
E os dias passam lentamente, com a sensação angustiante de que algo está muito errado e que nada está exatamente no lugar onde deveria - mesmo que as arrumações atuais estejam muito boas.
Talvez seja apenas após longos finais de semana, voltas das folgas ou quando você tem que fazer aquilo que mais odeia… O fato é que cedo ou tarde você se lembrará que não era nada disso que você queria. E você não queria com tanta força que apenas o fato de não ser tão ruim te deixou até bem.
Por favor, não caia nessa. O futuro vai te frustrar, e um dia o incômodo vai te enlouquecer.

A vida vai te dando opções muito cômodas e, quando você percebe, já esqueceu quais eram mesmos os seus sonhos. Só um incômodo qualquer lá no fundo da consciência continua te puxando, como um bebê puxa a barra da calça do pai. De vez em quando você percebe uma falta de vontade qualquer que se relaciona com o fato de que você não quer nada daquilo, mesmo que não se lembre disso.

E os dias passam lentamente, com a sensação angustiante de que algo está muito errado e que nada está exatamente no lugar onde deveria - mesmo que as arrumações atuais estejam muito boas.

Talvez seja apenas após longos finais de semana, voltas das folgas ou quando você tem que fazer aquilo que mais odeia… O fato é que cedo ou tarde você se lembrará que não era nada disso que você queria. E você não queria com tanta força que apenas o fato de não ser tão ruim te deixou até bem.

Por favor, não caia nessa. O futuro vai te frustrar, e um dia o incômodo vai te enlouquecer.

“Recusar-se a dar atenção a um pensamento, como recusar-se a entreter um primo bebê ou recusar-se a entreter uma alcatéia de hienas, é coisa das mais perigosas. Se você se recusa a entreter um primo bebê, o primo bebê pode ficar entediado e se entreter sozinho perdendo-se ou caindo em um poço. Se você se recusa a entreter uma alcatéia de hienas, elas podem ficar impacientes e se entreter devorando você. Mas quando se recusa a dar atenção a um pensamento — o que é apenas um modo afetado de dizer que você se recusa a pensar sobre uma determinada ideia —, você tem de ser muito mais valente do que alguém que está meramente enfrentando alguns animais sedentos de sangue, ou pais que ficaram aborrecidos por encontrar o seu queridinho no fundo de um poço, porque ninguém sabe o que uma ideia pode fazer quando sai para se entreter sozinha.”
@ Desventuras em série: A cidade sinistra dos corvos, Lemony Snicket

Recusar-se a dar atenção a um pensamento, como recusar-se a entreter um primo bebê ou recusar-se a entreter uma alcatéia de hienas, é coisa das mais perigosas. Se você se recusa a entreter um primo bebê, o primo bebê pode ficar entediado e se entreter sozinho perdendo-se ou caindo em um poço. Se você se recusa a entreter uma alcatéia de hienas, elas podem ficar impacientes e se entreter devorando você. Mas quando se recusa a dar atenção a um pensamento — o que é apenas um modo afetado de dizer que você se recusa a pensar sobre uma determinada ideia —, você tem de ser muito mais valente do que alguém que está meramente enfrentando alguns animais sedentos de sangue, ou pais que ficaram aborrecidos por encontrar o seu queridinho no fundo de um poço, porque ninguém sabe o que uma ideia pode fazer quando sai para se entreter sozinha.

@ Desventuras em série: A cidade sinistra dos corvos, Lemony Snicket

Talvez você também seja uma dessas que nasceu predestinada a nunca ser a mais bonita, a mais magra, a mais gostosa, a mais bem vestida, a mais rica, a mais viajada, a mais simpática, a mais eloquente, a mais perfeita para as expectativas e desejos da sociedade…
Talvez você só tenha a sorte de entender que não precisa de nada disso para ser a mais interessante.

Talvez você também seja uma dessas que nasceu predestinada a nunca ser a mais bonita, a mais magra, a mais gostosa, a mais bem vestida, a mais rica, a mais viajada, a mais simpática, a mais eloquente, a mais perfeita para as expectativas e desejos da sociedade…

Talvez você só tenha a sorte de entender que não precisa de nada disso para ser a mais interessante.

Fez um ano que eu conheci São Paulo. De todas as coisas que eu gostaria de dizer sobre isso, consegui apenas reunir forças para falar: São Paulo tem a capacidade aterradora de te transformar em apenas mais um. Não que você de fato se transforme, apenas se perceba melhor assim. Quando você convive com 11 milhões de pessoas, acaba descobrindo que não é nada, principalmente se a amostra que te cerca diariamente é formada por gente interessante, bem informada e acentuadamente mais a frente no caminho para uma vida bem sucedida do que você.
São Paulo é, ironicamente, uma cidade que pouco te julga, mas que conduz a sua capacidade de autojulgamento a um nível muito mais elevado do que você jamais pensou ser possível.
Quando entrei aqui, achei que ampliaria a minha expressão, o meu conhecimento, a minha experiência e tanto mais. E foi isso mesmo o que aconteceu. Mas São Paulo nem sempre me entende muito bem. Numa cidade sem “resenha”, “prosa ruim”, “ousadia”, “abuso” ou “enfuca”, às vezes eu me sinto completamente sem palavras… Ou completamente incompreendida. Assim como de vez em quando não entendo as coisas também.
É estranho vir morar em um lugar em que o seu gentílico é um xingamento. Mas, ironicamente, sair do meu Estado me tornou ainda mais baiana – e ainda mais orgulhosa de sê-lo, mesmo que nem haja muito sentido para que qualquer um de qualquer Estado se sinta assim. Talvez seja apenas prazeroso se apegar a pequenos lapsos de identidade em uma terra em que ninguém sabe quem você é, qual sua história ou como era a sua realidade.
Tem coisas que você só vai acreditar quando estiver aqui: é uma cidade que fede (assim como sua chuva também), sufoca (meus pulmões e minha garganta demoraram para se acostumar), mas te liberta. São Paulo é a mistura do mundo. Te desprende, te joga no meio de tudo e diz pra ir. Te ensina que você pode muito, e te faz se perguntar o que é mesmo que te diferencia de todo mundo que chegou ao topo. São Paulo é um tapa na cara, um puxão de orelha, é o professor que te chama a atenção. A Bahia é a mãe que me consola.
Às vezes eu penso te deixar, SP. Só que ser ninguém às vezes faz tão mal pro coração, mas tão bem para o futuro…

Fez um ano que eu conheci São Paulo. De todas as coisas que eu gostaria de dizer sobre isso, consegui apenas reunir forças para falar: São Paulo tem a capacidade aterradora de te transformar em apenas mais um. Não que você de fato se transforme, apenas se perceba melhor assim. Quando você convive com 11 milhões de pessoas, acaba descobrindo que não é nada, principalmente se a amostra que te cerca diariamente é formada por gente interessante, bem informada e acentuadamente mais a frente no caminho para uma vida bem sucedida do que você.

São Paulo é, ironicamente, uma cidade que pouco te julga, mas que conduz a sua capacidade de autojulgamento a um nível muito mais elevado do que você jamais pensou ser possível.

Quando entrei aqui, achei que ampliaria a minha expressão, o meu conhecimento, a minha experiência e tanto mais. E foi isso mesmo o que aconteceu. Mas São Paulo nem sempre me entende muito bem. Numa cidade sem “resenha”, “prosa ruim”, “ousadia”, “abuso” ou “enfuca”, às vezes eu me sinto completamente sem palavras… Ou completamente incompreendida. Assim como de vez em quando não entendo as coisas também.

É estranho vir morar em um lugar em que o seu gentílico é um xingamento. Mas, ironicamente, sair do meu Estado me tornou ainda mais baiana – e ainda mais orgulhosa de sê-lo, mesmo que nem haja muito sentido para que qualquer um de qualquer Estado se sinta assim. Talvez seja apenas prazeroso se apegar a pequenos lapsos de identidade em uma terra em que ninguém sabe quem você é, qual sua história ou como era a sua realidade.

Tem coisas que você só vai acreditar quando estiver aqui: é uma cidade que fede (assim como sua chuva também), sufoca (meus pulmões e minha garganta demoraram para se acostumar), mas te liberta. São Paulo é a mistura do mundo. Te desprende, te joga no meio de tudo e diz pra ir. Te ensina que você pode muito, e te faz se perguntar o que é mesmo que te diferencia de todo mundo que chegou ao topo. São Paulo é um tapa na cara, um puxão de orelha, é o professor que te chama a atenção. A Bahia é a mãe que me consola.

Às vezes eu penso te deixar, SP. Só que ser ninguém às vezes faz tão mal pro coração, mas tão bem para o futuro…

Será que é uma fase curta ou estou mesmo ficando impaciente com os outros? Cada vez mais gosto de menos gente, cada vez mais não suporto várias pessoas. Sinto uma eterna TPM toda vez que chego perto de algumas delas. Eu não era assim.
Mas vai ver eles que são chatos mesmo e ponto.

Será que é uma fase curta ou estou mesmo ficando impaciente com os outros? Cada vez mais gosto de menos gente, cada vez mais não suporto várias pessoas. Sinto uma eterna TPM toda vez que chego perto de algumas delas. Eu não era assim.

Mas vai ver eles que são chatos mesmo e ponto.